hoje encontrei um velhinho no metrô de Delhi que conversou comigo e me contou toda esta história enquanto esperávamos o trem na plataforma, em apenas um minuto.
bem, encontramos ele a primeira vez na fila da bilheteria, quando ele furou a fila na nossa frente, mas ao contrário de todos os indianos que furam a fila sem a menor cerimônia, ele olhou para trás e se desculpou, dizendo, "I am a old man and I am tired now...."
estávamos em Rajiv Chowk, que é como a estação Estácio no Rio, onde você troca de linha, é uma estação muito movimentada, cheia de gente, mas muito nova e bonita, pois o metrô de Delhi é como o de São Paulo, do Rio e de Medellín, bem arrumadinhos....
quando estávamos descendo a escada rolante, encontramos novamente com o velhinho indiano, que brincou comigo e perguntou em que série eu estava estudando.
ele já emendou dizendo que tinha muita saudade do tempo de colégio, pois ele havia estudado na Inglaterra, na Leicester School.
ele foi bom aluno e quase havia recebido a Golden Medal, mas não conseguiu...
o metrô ainda não tinha chegado e ele continuou: tudo porque tinha um grande amigo, um garoto inglês e, num exame, ele quis ajudar o amigo, mas os dois foram pegos com "cola"...
o senhor bem velhinho, elegante e falando um inglês suave, já começava se preparar para embarcar, pois o trem que seguia para Civil Lines já estava entrando na plataforma, mas ele ainda teve tempo de terminar a história.
como um era inglês e outro indiano, apenas o garoto indiano foi punido e ele perdeu aquele exame. por isso, ele não conseguiu manter a média 100 e terminou o colégio com a média 98, perdendo a tal da Golden Medal...
o trem abriu as portas e corremos para um vagão mais vazio e perdemos de vista o nosso "old man"...
mas fiquei pensando na história que o velhinho me contou em apenas um minuto, e porque ela andava há tanto tempo na sua memória, e porque foi a primeira coisa que contou quando viu um menino estrangeiro em Rajiv Chowk....
28 março 2010
21 março 2010
a parte de trás da Índia
quando a gente chega na Índia, começa logo a prestar atenção naquela religião tão diferente, nos templos, nos deuses, é o Hinduísmo que chama a atenção....
bem, mas não demora muito para entender que tem uma outra Índia ali do lado, um pedaço bem importante, grande, mas bem discreto : os muçulmanos da Índia.
não demora muito para perceber como é uma comunidade importante por aqui : em todos os lados se encontra uma mesquita, e você ouve todo o tempo os cantos vindos de lá, chamando os fiéis para rezar, em muitos lugares você vê coisas escritas em Urdu com as letras árabes, e você começa a perceber que muitas pessoas se vestem diferente, com camisões brancos longos até o joelho, chapeuzinho, xale e sempre de barba, e as mulheres usando véu sobre o rosto.
Até do lado da minha casa se ouve o canto vindo da mesquita, cantando assim "Allaaaaaah...meu bom Allaaaaaaaaaah, aaaaah !"
alguns bairros e alguns mercados são todos muçulmanos, como Nizamuddin, a cidade velha (Old Delhi ou Shajahanabad) ou Merauli.
logo você entende também que muitos daqueles monume
ntos que você achava bem indianos, são, na verdade o que sobrou do grande sultanato de Delhi, quando os imperadores muçulmanos conhecidos como "Mogóis" dominaram quase toda a Índia por 800 anos....
a história dos muçulmanos na Índia sempre foi muito difícil, pois quando a Índia ficou independente, os muçulmanos quiseram dividir o novo país em dois, criando uma metade somente para eles, que ganhou o nome de Paquistão. esse momento é chamado de "a Partição" e aconteceu em 1947.
os muçulmanos que concordaram com a idéia, saíram da Índia e se mudaram para o novo país, enquanto muita gente (sikhs e hinduístas) acabaram vindo para a Índia.
eu gosto dos muçulmanos daqui, são sempre muito educados e gentis.
moro do lado de um bairro muçulmano, Nizamuddin, cheio de ruelas e passagens estreitas, pequenas lojinhas que formam um grande bazar, parece até que pegamos uma máquina do tempo e desembarcamos na Bagdad de Aladim....
10 março 2010
eu vi o Taj Mahal !
Acordamos cedo e nos preparamos para ver o Taj Mahal.
Pegamos um rick-shah e nos metemos pelas ruas largas de Agra até chegarmos ao bazar que envolve as muralhas do Taj. Compramos biscoitos e suco de manga, além dos tickets para entrar.
Entramos por um portão gigante todo entalhado com letras árabes e só víamos um jardim cheio de fontes. Precisávamos atravessar ainda o último portão que protege o Taj. Fechei os olhos e fui andando atrás do meu pai, que me levava pela mão. Quando estava bem na frente do Taj Mahal, abri os olhos...
Imagine que choque...
Fiquei sem palavras...
O Taj Mahal estava na minha frente !!!!! Aquele verdadeiro palácio branco, flutuando sobre os jardins e canais, sobre o céu azul sem uma única nuvem....
Parecia uma miragem....
O monumento é todo feito de mármore esculpido e é todo simétrico, eu medi tudo, como aprendi na aula de geometria.
O curioso é que, apesar de parecer um palácio, na verdade ele é um túmulo.
Dentro do monumento tem apenas um salão com duas tumbas. Uma delas do antigo sultão da Índia, chamado Shah Jahan, e outro da sua rainha, chamada Muntaz Mahal.
Diz a lenda que o imperador ficou muito triste quando a sua mulher morreu durante a gravidez, e ele construiu o Taj Mahal para que ninguém se esquecesse dela.
O Taj Mahal fica na margem do rio Yamuna, o rio que passa em Agra e também passa em Delhi.
Olha só o Taj construído numa curva do Yamuna, bem magrinho agora, pois ainda não começou a estação das chuvas por aqui.
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