28 março 2010

história que me contou um old man na Rajiv Chowk station

hoje encontrei um velhinho no metrô de Delhi que conversou comigo e me contou toda esta história enquanto esperávamos o trem na plataforma, em apenas um minuto.
bem, encontramos ele a primeira vez na fila da bilheteria, quando ele furou a fila na nossa frente, mas ao contrário de todos os indianos que furam a fila sem a menor cerimônia, ele olhou para trás e se desculpou, dizendo, "I am a old man and I am tired now...."
estávamos em Rajiv Chowk, que é como a estação Estácio no Rio, onde você troca de linha, é uma estação muito movimentada, cheia de gente, mas muito nova e bonita, pois o metrô de Delhi é como o de São Paulo, do Rio e de Medellín, bem arrumadinhos....
quando estávamos descendo a escada rolante, encontramos novamente com o velhinho indiano, que brincou comigo e perguntou em que série eu estava estudando.
ele já emendou dizendo que tinha muita saudade do tempo de colégio, pois ele havia estudado na Inglaterra, na Leicester School.
ele foi bom aluno e quase havia recebido a Golden Medal, mas não conseguiu...
o metrô ainda não tinha chegado e ele continuou: tudo porque tinha um grande amigo, um garoto inglês e, num exame, ele quis ajudar o amigo, mas os dois foram pegos com "cola"...
o senhor bem velhinho, elegante e falando um inglês suave, já começava se preparar para embarcar, pois o trem que seguia para Civil Lines já estava entrando na plataforma, mas ele ainda teve tempo de terminar a história.
como um era inglês e outro indiano, apenas o garoto indiano foi punido e ele perdeu aquele exame. por isso, ele não conseguiu manter a média 100 e terminou o colégio com a média 98, perdendo a tal da Golden Medal...
o trem abriu as portas e corremos para um vagão mais vazio e perdemos de vista o nosso "old man"...
mas fiquei pensando na história que o velhinho me contou em apenas um minuto, e porque ela andava há tanto tempo na sua memória, e porque foi a primeira coisa que contou quando viu um menino estrangeiro em Rajiv Chowk....

21 março 2010

a parte de trás da Índia


quando a gente chega na Índia, começa logo a prestar atenção naquela religião tão diferente, nos templos, nos deuses, é o Hinduísmo que chama a atenção....

bem, mas não demora muito para entender que tem uma outra Índia ali do lado, um pedaço bem importante, grande, mas bem discreto : os muçulmanos da Índia.


não demora muito para perceber como é uma comunidade importante por aqui : em todos os lados se encontra uma mesquita, e você ouve todo o tempo os cantos vindos de lá, chamando os fiéis para rezar, em muitos lugares você vê coisas escritas em Urdu com as letras árabes, e você começa a perceber que muitas pessoas se vestem diferente, com camisões brancos longos até o joelho, chapeuzinho, xale e sempre de barba, e as mulheres usando véu sobre o rosto.
Até do lado da minha casa se ouve o canto vindo da mesquita, cantando assim "Allaaaaaah...meu bom Allaaaaaaaaaah, aaaaah !"
alguns bairros e alguns mercados são todos muçulmanos, como Nizamuddin, a cidade velha (Old Delhi ou Shajahanabad) ou Merauli.
logo você entende também que muitos daqueles monumentos que você achava bem indianos, são, na verdade o que sobrou do grande sultanato de Delhi, quando os imperadores muçulmanos conhecidos como "Mogóis" dominaram quase toda a Índia por 800 anos....




a história dos muçulmanos na Índia sempre foi muito difícil, pois quando a Índia ficou independente, os muçulmanos quiseram dividir o novo país em dois, criando uma metade somente para eles, que ganhou o nome de Paquistão. esse momento é chamado de "a Partição" e aconteceu em 1947.
os muçulmanos que concordaram com a idéia, saíram da Índia e se mudaram para o novo país, enquanto muita gente (sikhs e hinduístas) acabaram vindo para a Índia.

mesmo com a Partição, muitos muçulmanos ficaram na Índia, fazendo que ela seja um dos maiores países islâmicos do mundo.
mas por causa de toda essa história, de sultões invasores e partição, os muçulmanos ficaram meio de lado por aqui.

aqui na Índia, os muçulmanos falam Urdu, uma língua muito parecida com o Hindi, assim dizem, mas que é escrita com as letras do alfabeto árabe.

eu gosto dos muçulmanos daqui, são sempre muito educados e gentis.
moro do lado de um bairro muçulmano, Nizamuddin, cheio de ruelas e passagens estreitas, pequenas lojinhas que formam um grande bazar, parece até que pegamos uma máquina do tempo e desembarcamos na Bagdad de Aladim....

10 março 2010

eu vi o Taj Mahal !


Acordamos cedo e nos preparamos para ver o Taj Mahal.
Pegamos um rick-shah e nos metemos pelas ruas largas de Agra até chegarmos ao bazar que envolve as muralhas do Taj. Compramos biscoitos e suco de manga, além dos tickets para entrar.
Entramos por um portão gigante todo entalhado com letras árabes e só víamos um jardim cheio de fontes. Precisávamos atravessar ainda o último portão que protege o Taj. Fechei os olhos e fui andando atrás do meu pai, que me levava pela mão. Quando estava bem na frente do Taj Mahal, abri os olhos...
Imagine que choque...
Fiquei sem palavras...
O Taj Mahal estava na minha frente !!!!! Aquele verdadeiro palácio branco, flutuando sobre os jardins e canais, sobre o céu azul sem uma única nuvem....
Parecia uma miragem....
O monumento é todo feito de mármore esculpido e é todo simétrico, eu medi tudo, como aprendi na aula de geometria.
O curioso é que, apesar de parecer um palácio, na verdade ele é um túmulo.
Dentro do monumento tem apenas um salão com duas tumbas. Uma delas do antigo sultão da Índia, chamado Shah Jahan, e outro da sua rainha, chamada Muntaz Mahal.
Diz a lenda que o imperador ficou muito triste quando a sua mulher morreu durante a gravidez, e ele construiu o Taj Mahal para que ninguém se esquecesse dela.


O Taj Mahal fica na margem do rio Yamuna, o rio que passa em Agra e também passa em Delhi.





Olha só o Taj construído numa curva do Yamuna, bem magrinho agora, pois ainda não começou a estação das chuvas por aqui.














08 fevereiro 2010

minha casa fica em Jangpura


alugamos um apartamento bem perto da escola, num bairro chamado Jangpura...

é um apartamento pequeno mas espaçoso, com uma grande varanda.

Jangpura é um bairro legal, bem agradável, pois tem uma parte super calma, com pracinhas cheias de árvores, jardins e esquilos correndo pelos muros, cercadas por predinhos de 3 andares...



ao mesmo tempo, na outra metade do bairro, tem um grande mercado, animadíssimo, chamado Boghal, onde você pode comprar de tudo e ver todos tipo de gente, camponeses do Rajastão, Sikhs com seus elegantes turbantes, monges budistas, muitos afegãos, muçulmanos de todos os tipos, gente morena do sul da Índia, indianos de olhos puxados do leste, todos misturados...

como em todo mercado, também têm vários templos, guru-dwaras, mesquitas, pagodes budistas, e templos para vários deuses locais, como para Lakshimi, Shiva, Ganesha, etc.

outra grande atração do bairro é uma pequena lanchonete chamada Novelty, que é famosa por ter o melhor sanduíche de presunto da cidade...

meu bairro fica perto do estádio Nehru, é vizinho de Nizamuddin, o maior bairro muçulmano da cidade, e também do grande mercado de Lajpat Nagar.

04 fevereiro 2010

guru-dwara !? o templo dos sikhs


outro dia desses fomos até o grande templo sikh da cidade, chamado Bangla Sahib.
os templos dos Sikhs são chamados guru-dwaras, que quer dizer, a janela para o mestre !
o que é incrível deste templo é que ele é bem no meio da cidade, de fora você só vê um muro normal, e quando entra, você encontra uma piscina, uma piscina não, um verdadeiro lago, e ao fundo o templo branco.
a piscina serve para purificar os fiéis, quando eles se banham ali.

mesmo num dia bem frio, como esta manhã que estivemos lá, algumas pessoas tinham coragem de enfrentar o piscinão sagrado....
os Sikhs nunca tiram o turbante, estão sempre com ele durante o dia, cada um de uma cor e, como dá prá ver, não tiram nem para entrar nesta piscina.










em Delhi, tem uma grande população de "sardars", como os Sikhs são chamados, quase todos têm Singh no nome e muitos são motoristas de taxi, de van, de ônibus e até de avião...
eu também aproveitei para molhar os pés, andar ao redor, observando o que as pessoas faziam...









aqueles que não são da religião, devem usar um paninho para cobrir o cabelo quando entram no templo (além de deixar o sapato do lado de fora) .
os Sikhs têm uma religião muito interessante, uma espécie de mistura entre o Hinduísmo e o Islamismo, com um deus só e com um livro sagrado, como os muçulmanos mas com a mesma idéia de reencarnação dos hinduístas.






30 janeiro 2010

muitas religiões, muitos templos



as pessoas aqui parecem estar rezando o tempo todo.
e rezando de muitas maneiras diferentes.
e em lugares totalmente diferentes.
e quantos deuses !
mesmo com tanta variedade, dá vontade de participar de cada um dos rituais...
bem, aqui em Delhi, você encontra lado a lado todas as 5 grandes religiões da Índia: Hinduísmo, Islamismo, Sikhismo, Budismo e Jainismo, sem falar em outras pequenas religiões, como os Parsis e os Cristãos.
em cada esquina tem um templo de alguma religião...
no Hinduísmo, cada deus tem os seus templos, como Hanuman, o deus macaco (esse aqui em cima), Shiva, o deus azul (esse aqui em baixo), Lakshimi, a deusa de quatro braços, Ganesh, o deus elefante e Krishna, o deus flautista que, por isso, é o meu favorito...










quando você visita um templo Hinduísta, os monges colocam uma pinta colorida na sua testa e te dão um biscoito, também amarram uma fitinha no pulso.
quando você chega perto de cada altar, você precisa tocar um sino, para chamar a atenção do deus.
é uma religião cheia de cores, com muitos cheiros, cheia de velas e luzes, cheia de flores, imagens de animais, e as pessoas fazem oferendas todo o tempo.













os templos são espaçosos, têm perfume de incenso e o chão de mármore, e você tem sempre que deixar os sapatos do lado de fora, para não contaminar o templo com as impurezas do mundo.











o maior templo de Lakshimi aqui em Delhi é muito bonito, se chama Birla Mandir, é todo colorido, tem um parque do lado e tem até um escorregador...
também é legal porque nas paredes estão cheias de explicações sobre o Hinduísmo.
como ela é a deusa da beleza (e da riqueza), o templo está cheio de espelhos e de imagens da deusa bonita.


Delhi e seu minarete

Legal. Bem legal. Mais que legal....
É muito chocante ver de perto o Qutub Minar, um dos símbolos da cidade de Delhi.
Foi construído ao redor do ano 1200 (!), pelo primeiro conquistador muçulmano.
É altíssimo e todo esculpido, tem uns 60 metros de altura e quando foi construído, era a construção mais alta do planeta ! A idéia era deixar a população indiana local de boca bem aberta.
As esculturas são impressionantemente detalhadas. Engraçado, é uma construção imensa e detalhada ao mesmo tempo.
É um minarete, a torre que é construída ao lado das mesquitas para chamar os fiéis para rezar. Fiquei imaginando o cara gritando lá de cima para chamar a comunidade, será que dava prá ouvir ?
Hoje em dia, só sobrou o minarete, pois a mesquita está em ruínas.
Nesse domingo ensolarado que estive por lá, o parque do Qutub estava cheíssimo de gente, quase todos indianos, aproveitando bem os monumentos históricos da cidade, com o maior orgulho.



Mas, lendo estas explicações aqui, não consegui entender muita coisa....

11 janeiro 2010

reveillon com um único rojão


acho que não há festa de ano novo como em Delhi.
noticiários, jornais, polícia prepararam as medidas para a grande concentração popular no coração da cidade, a Connaught Place, milhares e milhares de pessoas eram esperadas.
nos preparamos bem para enfrentar o frio, estava fazendo 6 graus, e saímos para o centro às dez da noite.
quando chegamos lá, realmente o tudo estava bem organizado, ruas fechadas, soldados nas esquinas, detectores de metais, tudo preparado para receber uma multidão indiana.
mas o gozado é que estava todo mundo andando na direção errada, saindo da praça.
onze e meia e o pessoal não parava de sair da praça.
"ei, pessoal, a festa é prá lá !", dava vontade de falar...
ou será que tinham mudado a festa de lugar sem dizer nada ?
quinze para meia-noite, a praça já meio deserta, começam a apagar as luzes e fechar as lojas...
será que é uma festa surpresa e na hora H todo mundo vai sair gritando detrás de alguma moita ?
11 e 58 e a praça totalmente deserta, nada, ninguém...
à meia-noite, o apogeu: um único rojãozinho explode: ssssssssss e.... pec !
2010 tinha chegado e comemoramos com um abraço em família, no meio da pista do círculo menor de Connaught, num frio congelante e tendo como testemunha uma grande lua cheia e uns soldados indianos preocupados apenas em aquecer as mãos em fogueirinhas na calçada.
no dia seguinte, descobrimos que realmente milhares de pessoas haviam ido até a praça, mas que o auge da festa tinha sido às....dez da noite !
a festa teve luzes, balões coloridos e fogos, mas, todos celebram o ano novo mais cedo, para poder ir para casa e ver a programação especial da TV, ou para bares ou restaurantes, que fazem festas fechadas.
na rua, só até às dez....
o consolo foi poder ver pela primeira vez (e acho que única) a agitadíssima Connaught totalmente vazia, silenciosa, à meia luz...
um ano novo único, quase exclusivo...

10 janeiro 2010

tantos monumentos tão antigos


sempre que temos uma folga, passamos por algum monumento de Delhi.
na cidade, existem muitos monumentos, palácios, ruínas...
alguns parecem perdidos no meio de uma super avenida congestionada, outros do lado de um viaduto, sem ninguém dar bola para ele...
outros são muito bem cuidados, bonitos, "sinistros"...

por falar em sinistro, um dos mais famosos é a tumba de Humayun.

esse aqui abaixo.
também foi construído naquela mesma pedra vermelha, como o Red Fort.
fomos visitá-lo numa tarde bonita e cheia de estudantes de colégio.
as meninas usam sari de uniforme.
os meninos jogam cricket no meio das ruínas.

















dizem que já existiram 8 Delhis, a atual seria a oitava versão da cidade. cada imperador e cada sultão construiu a sua capital, com seus palácios; hoje todas as 8 cidades estão juntas, uma em cada esquina.



natal em Delhi


é estranho passar o dia de natal numa cidade estranha.
o dia foi mais um daqueles bem friozinhos.
durante o dia, passamos o tempo todo fazendo fila no "Registro de Estrangeiros", para conseguir nosso cartão de residente.
sete horas de espera.
mas, pelo menos, saímos de lá todos devidamente documentados em um único dia, com nossa nova carteira de identidade indiana.
para completar a festa, à noite, fomos ver a missa de Natal na catedral de Delhi.
a missa foi muito bonita, toda cantada, toda diferente, seguindo o rito malabar.
na saída, todas as crianças se reúnem na escadaria para cantar músicas tradicionais.
o Papai Noel fica sambando na escadaria, distribuindo balas apimentadas para as crianças.
parecia até pegadinha....
mesmo assim, tinha uns adultos que esticavam a mão por baixo do meu braço para tentar filar uma balinha...
outra coisa engraçada é que muita gente da cidade vai até a igreja para assistir toda a movimentação, cheios de curiosidade por aquele ritual exótico...
enfim, um Natal bem diferente.

conhecendo o Red Fort


num domingo de sol (mais ainda bastante frio) fomos conhecer o famoso Red Fort de Delhi.
ele é da época dos Mogóis, construído durante o império destes sultões sobre a Índia.
o Forte tem quase 500 anos de idade.
ele é todo vermelho mesmo, pois foi construído com pedras avermelhadas, é grande e bonito.
passando as muralhas vermelhas por portões imensos, encontramos jardins lindos, cheios de esquilos e canais secos.
eles deviam recuperar esses canais, as piscinas e pequenos lagos, para a água voltar a correr pelo meio dos jardins.
já os esquilos não tem muito medo não, eles vem comer na sua mão, se você ficar imóvel.


os antigos salões imperiais viraram museus, com armas e roupas da época dos sultões de Delhi.
dentro das muralhas também existem construções do tempo colonial inglês, quartéis dos soldados.
ali ainda tem uma bonita mesquita de mármore, com teto em forma de cebola como todas as outras, onde apenas os imperadores Mogóis rezavam.

Delhi é uma cidade muito antiga, cheia de monumentos e ruínas históricas.
a maioria delas são islâmicas, e quase nada sobrou dos povos indianos mais antigos, pois os vários sultões destruíram quase tudo.